DSEI 021 – Defense and Security Equipment International of 2021

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A DSEI – DEFENCE & SECURITY EQUIPMENT INTERNATIONAL, é um das maiores Exposições Internacionais de Defesa que se realiza na Europa. Ocorre bi-anualmente e é um evento mundial que conecta governos, forças armadas internacionais, líderes de opinião da indústria e a cadeia global de fornecedores e distribuídos de produtos de defesa e segurança, numa escala incomparável.

Com uma variedade de oportunidades valiosas para networking, uma plataforma para negócios, acesso a conteúdo relevante e demonstrações de equipamentos ao vivo, a comunidade de visitantes e expositores da DSEI pode compartilhar conhecimento, descobrir, inovar e experimentar os recursos mais recentes nos sectores aeroespacial, terrestre, naval, segurança e outros domínios. A ultima exposição realizou-se em Londres, contou com a participação de 50 Países, cerca de 1 700 Expositores, mais de 36 000 participantes, distribuídos por 44 Pavilhões e impressionantes palestras  apresentadas por mais de 300 especialistas de renome internacional.

A nível de expositores, participaram quase todos os gigantes da Defesa Mundial, com a exposição a ir desde fabricantes de armas ligeiras até às grandes viaturas militares. No que diz respeito a Portugal, estiveram presentes militares dos vários ramos das Forças Armadas com vista aos estudos correntes para aquisição de equipamentos aprovados pela presente lei de programação militar. Conseguimos assim observar em primeira mão alguns dos mais recentes equipamentos que poderão ser uma opção para os militares Portugueses.

Dentro do sector terrestre destacamos as armas ligeiras da FN HERSTAL, com a apresentação da Metralhadora Ultra-Ligeira FN EVOLYS. Não esquecendo também armas como a FN SCAR H PR e a SCAR SC, que poderão complementar a família de armas ligeiras já adquiridas pelo Exército Português. Podemos também observar algumas armas de apoio, como as MINIGUN 7,62x51mm da empresa PROFENSE, que é neste momento o fabricante mais promissor nesta área, pois as suas armas são as unicas que permitem uma cadência de fogo variável entre 1500 RPM ou 3000 RPM. No que toca aos sistemas RWS (Remote Weapons Station), a mais famosa sendo a Kongsberg, podémos ve-las a equipar as mais variadas plataformas, inclusive em Unmanned Ground Vehicles (UGV), em configurações que usam armas em 30x113mm, 40x53mm, .50Cal., 7,62x51mm e até 5,56x45mm, e com capacidades que vão desde Anti-Carro com ATGM (Anti Tank Guided Missile), até às funções Counter UAS (Unmanned Aerial System). De destacar a versão RS4 equipada com um Lança Rockets da Arnold Defense, que permite disparar Rockets guiados APKWS da BAE Systems e assim eliminar alvos onde um ATGM seria demasiado dispendioso ou até um overkill. Podemos também vislumbrar as várias versões das Caçadeiras Benelli, em que as Super nova ganharam o concurso da NSPA (NATO Support and Procurement Agency) para equipar o Exército Português.

No que toca a viaturas damos especial relevância aos novos Humvee SABER da AM General e ao Humvee HAWKEYE  (com uma peça de artilharia 105mm soft recoil). Os primeiros pela sua inovação em termos de proteção, conseguindo mesmo assim manter a viatura numa configuração modesta em termos de tamanho e peso. No segundo, porque a necessidade de plataformas muito moveis que providenciem poder de fogo é, cada vez mais, de extrema importancia. Muito interesante tem sido também a proliferação de motas electricas de duas rodas, com várias viaturas ligeiras a apresentarem montagens para transportar este tipo de viaturas e assim os seus militares poderem efectuar certos tipos de missões sem serem detetados umas vez que estas quase não emitem assinatura sonora, térmica e inodora. Também as viaturas da General Dynamics tiveram especial papel, com o IFV ASCOD a participar com várias versões, inclusive uma dedicada exclusivamente ao lançamento de misseis anti-Carro (ATGM – Anti Tank Guided Missile), carregando 8 misseis prontos a disparar.

A DSEI costuma ter uma exposição Naval considerável, no entanto desta vez estava um pouco mais modesta. Com os grandes Navios mais ausentes, as pequenas embarcações e os sistemas não tripulados tiveram mais destaque. O lançamento do novo CB90 HSM foi um sucesso e este barco patrulha de alta performance e com capacidade de desembarque amfíbio impressionou todos os presentes. No campo dos UAV/UAS embarcados, o Camcopter S-100 da Schiebel continua a sua expansão por várias Marinhas mundiais e o FIRE SCOUT da Northrop Grumman tem vindo cada vez mais a provar o seu valor e o porquê de os pequenos drones navais não terem qualquer utilidade em combate, necessitando plataformas deste género para realmente serem plataformas aéreas navais eficazes e uteis.

No que toca aos equipamentos aéreos convencionais, damos destaque aos Helicópteros UH-60 Blackhawk armados com metralhadoras FN M3M e Miniguns PROFENSE,  e em alguns casos com Lança Rockets da Arnold Defense. Estes equipamentos podem ser montados numa montagem externa ao Helicoptero que assim nao rouba espaço de cabine e permite a reconfiguração dos Helicopteros em muito pouco tempo. Permite também que as metralhadoras sejam apontadas para a frente e disparadas pelo piloto, ou manejadas lateralmente pelos gunners num vasto angulo.  A Arnold Defense fabrica PODS lançadores de rockets em várias versões que equipam também Aviões (como os F16 e F18) e Helicópteros de Ataque (como o Apache e Cobra), assim como viaturas terrestres. Uma grande evolução no que toca a lança rockets é agora poderem disparar Rockets Guiados, como o APKWS da BAE Systems, que passa a ser um pequeno míssil guiado, com menores danos colaterais e menor custo de aquisição, mas com a mesma precisão.

Uma das grandes vantagens desta feira se realizar em Inglaterra é que tanto as empresas Norte Americanas, como Europeias e até de aliados no Médio Oriente, estão presentes, permitindo assim, a quem interessado, conhecer muitos dos equipamentos que vão desde as gamas mais altas, até versões mais económicas mas que satisfazem Países aliados. A próxima será já em 2023 e esperemos que seja ainda um maior sucesso.

DeepInfil 21 – Exercício do Exército Português e das Forças Armadas Alemãs

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Aos primeiros raios de luz, já as forças do Exército Português se encontram em posição para tomarem de assalto as posições de um acampamento terrorista. Há 3 noites atrás, um destacamento da Companhia de Precursores dos Paraquedistas do Exército Português, juntamente com elementos Sniper da Força de Operações Especiais, já haviam feito uma incursão noturna por salto operacional de grande altitude para a área, e reportavam para a cadeia de comando todos os movimentos inimigos, preparando assim o terreno para a inserção noturna por Paraquedas de duas Companhias de Paraquedistas, que iriam executar o assalto final. Nessa noite preparam e assinalam toda a Drop Zone, fazendo assim todo o link up com a Força de Assalto.

Ao mesmo tempo que os Precursores Portugueses haviam sido inseridos no terreno, militares do Spezialisierte EGB Forces (Specialized Army Forces with Expanded Capabilities for Special Operations), pertencentes à 1ª Brigada Aerotransportada do Exército Alemão, também executam saltos de grande altitude para pontos chaves da área de operações, de modo a poderem controlar rotas de aproximação ou fuga, dando assim apoio directo a esta operação.

Esta não é uma operação real, mas é uma hipotética missão que o Exército Português esteve a treinar no Exercicio DeepInfil 021, juntamento com a Força Aérea e Exército Alemão.

O Exercício DEEPINFIL 21, decorreu de 9 a 19 de Novembro, no Aeródromo Militar de Tancos, onde está sediado o Comando da Brigada de Reação Rápida do Exército Português, e contou com a participação do Batalhão Operacional Aeroterrestre (BOAT) do Regimento de Paraquedistas, de militares do Centro de Tropas de Operações Especiais (CTOE), da Força Aérea Alemã e da 1st German Airborne Brigade, sediada em Fritzlar, na Alemanha. Para este exercício, as Forças Armadas Alemãs enviaram para Portugal 172 Militares, 3 Aeronaves e várias viaturas.

Este exercício, que integra o ciclo de treino operacional do BOAT, serviu para treinar o planeamento de operações aerotransportadas e a execução de infiltrações do Destacamento de Precursores, integrando elementos da Força de Operações Especiais, por intermédio de saltos de abertura manual a altitudes fisiológicas e não fisiológicas.

Alguns dos Militares Portugueses também completaram neste exercício, os Cursos de Queda Livre Operacional e de Piloto de Tandem Operacional. O Curso de Queda Livre Operacional destina-se a habilitar os militares com as competências necessárias para serem infiltrados no Teatro de Operações através de saltos em queda livre, com equipamento de combate e sistema de oxigénio a grandes altitudes, em ambiente diurno ou noturno. O Curso de Piloto de Tandem Operacional destina-se a preparar o militar para desempenhar a função de Piloto Tandem na Companhia de Precursores, realizar infiltrações a grande altitude através de saltos em paraquedas do tipo “asa”, utilizando para o efeito um equipamento bilugar, transportando um passageiro e cargas até 200 kg. Esta valência permite incluir na constituição da força a projetar um ou mais especialistas não qualificados em queda livre operacional.

Estes militares altamente especializados fazem parte das forças de reação rápida da NATO e a interação entre os Precursores Portugueses e forças Alemães permitiu o intercâmbio de técnicas, táticas e procedimentos, potenciando a criação de sinergias no treino, metodologias e procedimentos técnicos aeroterrestres entre todos os participantes.

Os Paraquedistas de ambas as Nações aproveitaram as excelentes condições meteriológicas que o nosso País proporciona, treinando assim saltos táticos de paraquedas com equipamento de combate, tanto de dia como de noite, usando as aeronaves Alemãs A400M e Skytrucks M28, que este País enviou para este exercício.

Pode também vizualizar um vídeo do exercício onde observa Militares da Companhia de Percurssores dos Paraquedistas Portugueses e do Centro de Tropas de Operações Especiais do Exército Português: